Abertura da CF 2026 ocorre nas foranias e recorda luta de Irmã Filomena

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A Diocese de Nova Iguaçu realizou, no último sábado, 21 de fevereiro, a abertura da Campanha da Fraternidade 2026, que neste ano traz como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). A iniciativa integra a mobilização nacional promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cujo lançamento oficial ocorreu no dia 18 de fevereiro, no início da Quaresma.

Na Igreja no Brasil, a Campanha da Fraternidade é realizada anualmente durante o tempo quaresmal e articula oração, reflexão e ação concreta diante de realidades que desafiam a dignidade humana. Em 2026, o foco recai sobre a questão habitacional. Embora a moradia seja um direito assegurado pela Constituição, milhões de brasileiros ainda vivem em condições precárias ou sem acesso a uma casa digna.

A proposta do tema destaca que a moradia é porta de entrada para outros direitos fundamentais, como saúde, educação e segurança. A ausência de um lar impacta diretamente a vida familiar e a inserção social, exigindo respostas que envolvam poder público, sociedade civil e comunidades de fé.

Memória que ilumina o presente

Na abertura da Campanha da Fraternidade 2026 diocesana, houve a lembrança da memória de Irmã Filomena Lopes Filha, que não se deu apenas como homenagem histórica, mas como atualização de um testemunho diretamente ligado ao tema “Fraternidade e Moradia”.

Ao longo de sua missão na Baixada Fluminense, a religiosa esteve à frente de mutirões que viabilizaram a construção de centenas de casas populares para famílias em situação de vulnerabilidade, compreendendo a moradia como expressão concreta da dignidade humana e da justiça social. Sua atuação mostrou que evangelizar também é organizar o povo e lutar por condições básicas de vida. Ao recordação neste contexto reafirma que o compromisso com a habitação digna não é pauta circunstancial, mas parte constitutiva da ação evangelizadora da Igreja na Baixada Fluminense.

Irmã Filomena chegou à Nova Iguaçu como religiosa da Congregação das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição de Maria (Bonlanden). Sua atuação ultrapassou os muros da escola. Em bairros de Belford Roxo e Nova Iguaçu, ajudou além das casas populares, na construção de creches, postos de saúde e um centro social.

Em 7 de junho de 1990, foi sequestrada e assassinada. Sua morte marcou a história da Diocese e se tornou símbolo de uma vida oferecida no serviço aos mais pobres.

Ao retomar sua memória na abertura da CF 2026, a Diocese estabelece um vínculo direto entre o testemunho da religiosa e o tema “Fraternidade e Moradia”. A luta por casas populares, conduzida por ela ao lado das comunidades, traduz de forma concreta o chamado da Campanha: reconhecer a moradia como expressão da dignidade humana e compromisso cristão.

Abertura nas foranias

A abertura foi marcada por celebrações descentralizadas nas foranias e vicariatos, reforçando a participação das paróquias e comunidades ao longo da Quaresma.

Na Forania 1, a Santa Missa foi presidida por Dom Gilson Andrade, bispo e Nova Iguaçu, na Capela Cristo Rei, no Instituto de Educação Santo Antônio (IESA), colégio onde viveu e trabalhou a saudosa Irmã Filomena Lopes Filha. A escolha do local remete à atuação pastoral da religiosa, que exerceu a direção pedagógica da instituição e desenvolveu uma proposta educativa unindo fé, consciência crítica e compromisso social.

Já no Vicariato Leste, que compreende as foranias 7 e 8, o bispo emérito, Dom Luciano Bergamin, participou da caminhada de abertura e presidiu a Santa Missa. Um dos momentos mais fortes foi a passagem pelo local, em Itaipu, Belford Roxo, onde Irmã Filomena foi encontrada sem vida, hoje transformado em memorial em sua honra.

Compromisso quaresmal

Criada em 1962 e assumida nacionalmente pela CNBB desde 1964, a Campanha da Fraternidade consolidou-se como uma das principais iniciativas evangelizadoras e sociocaritativas da Igreja no Brasil. Além da dimensão formativa, mantém o gesto concreto da Coleta Nacional da Solidariedade, realizada no Domingo de Ramos. Do total arrecadado, 60% permanecem nas dioceses, por meio dos Fundos Diocesanos de Solidariedade, e 40% são destinados ao Fundo Nacional de Solidariedade, que apoia projetos sociais em todo o país.

Os padres João Paulo e Cesar Lino no memorial erguino local do martírio de Irmã Filomena.

Na Diocese de Nova Iguaçu, a proposta é que o tema seja aprofundado ao longo da Quaresma com encontros formativos, celebrações e iniciativas concretas nas comunidades. Ao recordar Irmã Filomena na abertura da Campanha, a Igreja particular reafirma que a fé cristã se traduz em gestos, capazes de transformar realidades e fazer da moradia um sinal visível de que Deus continua “morando entre nós”.

Veja abaixo o álbum de fotos do Flickr:

Abertura da Campanha da Fraternidade 2026