Seminário Diocesano celebra 40 anos com memória, gratidão e compromisso com as vocações

0
137

Sob o altar, naquele mesmo cálice erguido por Dom Adriano Hypólito há quarenta anos, estava reunido um sonho. Naquele tempo, ele se levantava junto com os prédios do então recém-inaugurado Seminário Diocesano, diante de alunos, fiéis, benfeitores, padres e dos primeiros bispos da Diocese de Nova Iguaçu: Dom Walmor, Dom Honorato e o próprio Dom Adriano.

Na tarde deste domingo, 3 de maio, o mesmo gesto voltou a acontecer. Dom Gilson Andrade da Silva ergueu aquele mesmo cálice. Ali estava ele, sobre o altar, trazendo o vinho que se torna Sangue, carregando as marcas da história e o toque das mãos de tantos homens que ali foram formados — e que também se deixaram formar. Um cálice que guarda, de modo silencioso, as digitais dos bispos que deram continuidade ao sonho de Dom Adriano e conduziram a vida da diocese, sustentando o Seminário Diocesano, hoje São Paulo VI.

Nele também se reconhecem o suor e as alegrias dos que conduziram esse processo formativo ao longo dos anos. Merecem memória os reitores padres Mário, Valdir, Edemilson, Medoro, Cônego Sérgio, Marcus Barbosa, Sílvio, Paulo Pires e Luiz André, além do vice-reitor padre Rodrigo Albuquerque. Entre eles, recorda-se também Dom Paulo Cezar Costa, que foi reitor da casa e hoje é cardeal — o primeiro filho do estado do Rio de Janeiro a receber esse título.

Quanta memória cabe naquele mesmo cálice. Ele foi testemunha do projeto de comunhão com as dioceses vizinhas, da chegada das primeiras Irmãs Clarissas, da ordenação das primeiras turmas e agora acompanha os formandos de hoje, a chamada “turma dos 40 anos”. Nele também se reconhece a bonita relação com as Irmãs Franciscanas de Bollanden (IESA): a proximidade territorial que, ao longo dos anos, se traduziu em proximidade de afeto e fraternidade.

A celebração também trouxe à tona a memória de tantos homens e mulheres que se dedicaram ao seminário, entre funcionários, benfeitores e amigos. Entre eles, Helena Ormond e Maria Goreth, que se fizeram presentes. E, de modo especial, um lugar que permaneceu vazio na assembleia recordava Dona Denair, que fez sua Páscoa definitiva no último dia 18 de abril. Soma-se a essa saudade a memória agradecida da irmã Yeda Dalcin, falecida no mês de março, que tanto ajudou, rezou e amou o nosso seminário. Ausências que se tornam presença de memória — também guardadas naquele mesmo cálice.

Em sua homilia, Dom Gilson recordou que o seminário é o coração da diocese e que cuidar das vocações é missão de todo o povo de Deus. Ele destacou a importância de cultivar uma cultura vocacional, marcada pela oração, pelo acompanhamento e pelo testemunho, especialmente junto aos jovens. Em um tempo de muitos desafios, reforçou que a esperança da Igreja nasce da confiança em Deus, que continua chamando.

Ao final, a Diocese de Nova Iguaçu expressou gratidão ao reitor, padre Luiz André de Souza, e ao vice-reitor, padre Rodrigo Albuquerque, pelo trabalho e dedicação à formação dos futuros sacerdotes.

Quarenta anos depois, o mesmo cálice segue sendo erguido. E com ele, permanece de pé o sonho.