A Diocese de Nova Iguaçu realizou, no último sábado, 19 de setembro, a segunda etapa da Assembleia Diocesana 2026. O encontro, realizado no Centro de Formação de Líderes (Cenfor), deu continuidade ao processo de elaboração do novo Plano Pastoral Diocesano e reuniu padres, diáconos, religiosos, religiosas e leigos representantes das diferentes realidades eclesiais, para avaliar a caminhada da Diocese, definir metas e aprovar as bases que orientarão a ação evangelizadora nos próximos anos
Iniciado em maio, o caminho da Assembleia chega a uma etapa decisiva. Se o primeiro encontro foi marcado pela escuta e pelo início do discernimento comunitário, a segunda etapa concentrou-se na avaliação da caminhada pastoral, na apreciação do texto do novo Plano Pastoral e na definição de metas e cronogramas para os chamados “Caminhos de Missão”.
Na abertura, o bispo de Nova Iguaçu, Dom Gilson Andrade, retomou a parábola do semeador, para apresentar uma imagem capaz de iluminar o sentido de todo o processo. Para ele, a missão não nasce apenas dos projetos e estruturas da Igreja, mas, antes de tudo, da iniciativa de Deus, que continua lançando sua Palavra mesmo diante das dificuldades. “Nós somos colaboradores dessa obra, chamados a acolher a Palavra […] e a trabalhar para que ela encontre condições de produzir frutos”, afirmou.
A imagem da semeadura também serviu para olhar para aquilo que já vem sendo construído na Diocese. Dom Gilson recordou os frutos presentes nas paróquias e demais realidades pastorais, citando a catequese, as celebrações, entre elas o Congresso Eucarístico, as pastorais sociais, os trabalhos de formação, a evangelização das juventudes, as famílias e os diferentes serviços. O bispo destacou ainda a dedicação de sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e agentes de pastoral que sustentam, muitas vezes de maneira silenciosa, a vida das comunidades.
Esse olhar para a caminhada realizada não significou ignorar os desafios. Ao contrário, a avaliação apareceu como instrumento para reconhecer aquilo que precisa ser fortalecido, revisto ou renovado. Na reflexão apresentada à Assembleia, Dom Gilson ressaltou que os desafios devem ser compreendidos como oportunidades de renovação da fé e da própria ação pastoral.
Um processo, não apenas um encontro
A segunda etapa também reforçou a dimensão sinodal da Assembleia. O processo vivido em Nova Iguaçu está inserido tanto no caminho de implementação do Sínodo quanto na acolhida das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Nesse contexto, a construção do novo Plano Pastoral procura articular a realidade própria da Baixada Fluminense com os caminhos assumidos pela Igreja no Brasil e no mundo.
“A Assembleia não é um evento, mas um processo”, destacou Dom Gilson. Segundo o bispo, o compromisso é avançar na construção de uma comunidade “mais participativa, relacional e missionária”, capaz de integrar a diversidade na comunhão e colocá-la a serviço da missão.

Ao longo da manhã, os participantes retomaram a avaliação anual do atual Plano Pastoral, a partir da síntese das contribuições apresentadas pelas paróquias. O material ajudou a apontar elementos para o planejamento de 2027 e serviu de referência para a apreciação da estrutura e do conteúdo do novo Plano Pastoral Diocesano.
Outro momento importante foi o trabalho em grupos, organizado a partir dos “Caminhos de Missão”. A proposta foi transformar o processo de escuta e discernimento em compromissos concretos. Os participantes foram chamados a definir, à luz do texto inspirado nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e levando em consideração as realidades diocesanas, até três metas para cada caminho, acompanhadas de um cronograma.
As propostas construídas nos grupos foram posteriormente apresentadas ao conjunto da Assembleia para apreciação. Dessa forma, a elaboração do Plano Pastoral buscou combinar participação, discernimento e capacidade de estabelecer prioridades que possam efetivamente orientar a ação evangelizadora da Diocese.
Cristo, comunidade, missão e formação
Em sua reflexão, Dom Gilson também apresentou quatro critérios propostos pelo Papa Leão XIV à Assembleia Diocesana de Roma, e que, segundo o bispo, sintetizam o horizonte pretendido tanto para a Assembleia quanto para o Plano Pastoral.
O primeiro é colocar no centro o encontro com Cristo e a capacidade de conduzir outras pessoas a esse encontro. A avaliação das ações pastorais, nessa perspectiva, não deve considerar somente organização, participação ou tradição, mas perguntar se elas aproximam concretamente o Evangelho da vida das pessoas.
O segundo critério é a geração de comunidades marcadas por relações verdadeiras, acolhida, acompanhamento e corresponsabilidade. Nesse ponto, a atenção aos jovens também aparece como compromisso, por meio da oferta de espaços de escuta e proximidade que ultrapassem as atividades já estabelecidas.
O terceiro aponta para uma Igreja capaz de habitar e servir o território onde está inserida. Aplicado à realidade diocesana, o princípio reforça uma presença eclesial atenta às expectativas, fragilidades e perguntas da população, fazendo do lugar onde as comunidades vivem não apenas um cenário, mas espaço concreto da missão.
A formação do Povo de Deus atravessa os três critérios. A questão proposta é se as atividades pastorais fazem crescer na fé, formam discípulos missionários, ajudam a amadurecer responsabilidades eclesiais e favorecem uma fé capaz de se traduzir em escolhas concretas de vida e serviço.
A programação contou ainda com a apresentação dos “Compromissos sinodais”, e a etapa dedicada à definição das metas do Plano Pastoral Diocesano. Ao final, Dom Gilson apresentou as considerações conclusivas, e a Assembleia encerrou suas atividades com a oração comunitária e o almoço.
O percurso iniciado na primeira etapa, em maio, e aprofundado neste segundo encontro busca oferecer à Diocese referências comuns para os próximos anos. O novo Plano Pastoral nasce, assim, de um processo que procura reunir avaliação, escuta, participação e discernimento para responder aos desafios concretos da evangelização na Baixada Fluminense.
Ao concluir sua reflexão de abertura, Dom Gilson voltou à imagem da semeadura e apresentou Maria como modelo para a caminhada diocesana: aquela que acolheu a Palavra, guardou-a no coração e colocou-se a caminho para servir. A mesma dinâmica resume o horizonte que a Assembleia procura assumir: acolher a Palavra, discernir comunitariamente e transformar aquilo que foi semeado em missão e serviço.
Imagens: Adielson Agrelos – DNI Ascom









Agência Hesed.