Após 35 anos, Irmã Filomena retorna à Baixada Fluminense em um reencontro com a história da Diocese de Nova Iguaçu

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A manhã de 21 de maio marcou um reencontro carregado de memória, fé e história para a Diocese de Nova Iguaçu. Trinta e cinco anos após sua morte, os restos mortais de Irmã M. Filomena Lopes Filha retornaram à Baixada Fluminense, terra onde viveu sua missão entre os pobres e entregou a própria vida em testemunho do Evangelho.

Irmã Filomena estava sepultada no cemitério da Congregação das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição de Maria de Bonlanden, em Barra do Piraí. Agora, sua memória volta à região onde sua presença marcou profundamente a caminhada pastoral da Igreja e a vida do povo da Baixada.

Religiosa da Congregação das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição de Maria de Bonlanden, Irmã Filomena fez da caridade o centro de sua vocação. Na Baixada Fluminense, construiu uma presença pastoral marcada pela proximidade com o povo, especialmente com os mais vulneráveis, em um período de forte violência e tensão social na região.

Seu trabalho pastoral e social nasceu do amor cristão vivido de forma concreta. Foi esse mesmo amor — vivido sem recuos — que a levou a permanecer ao lado dos pobres mesmo diante das ameaças.

Em 7 de junho de 1990, Irmã Filomena foi sequestrada e obrigada a dirigir até uma área isolada em Itaipu, em Belford Roxo. No local, foi assassinada com um tiro na cabeça. Onde seu corpo foi encontrado, uma cruz permanece erguida até hoje como memória de sua vida entregue e da esperança que sua presença continua despertando.

A “oferta da vida” como testemunho cristão

Décadas após sua morte, a trajetória de Irmã Filomena continua a ser recordada como expressão de um testemunho radical de amor ao próximo. Em 2017, Papa Francisco instituiu, por meio do Motu Proprio Maiorem hac dilectionem, a “oferta da vida” como uma nova via reconhecida pela Igreja nos processos de beatificação.

A expressão se refere aos cristãos que, impulsionados pela caridade, oferecem livremente a própria vida pelos irmãos, aceitando conscientemente o risco da morte em fidelidade ao Evangelho.

Embora a Igreja tenha critérios próprios para reconhecer oficialmente esse caminho, a memória de Irmã Filomena permanece associada, na vida do povo da Baixada, à imagem de uma mulher que escolheu permanecer fiel à missão junto aos pobres até as últimas consequências.

À época, Dom Adriano Hypólito, então bispo de Nova Iguaçu — ele próprio vítima de violência por sua atuação pastoral — declarou:

“Se a Irmã Filomena não morreu por ódio à fé, foi por ódio à esperança e ao amor que a mão do maligno a sacrificou. Como antes com sua pastoral libertadora, no sentido mais verdadeiro da evangelização, Filomena dá testemunho de Jesus Cristo com a própria vida.”

A exumação dos restos mortais

A exumação dos restos mortais foi acompanhada por uma delegação da Diocese de Nova Iguaçu formada por Dom Gilson Andrade, bispo diocesano; Irmã Nana, provincial da congregação; Irmã Fátima, OSF; o seminarista Mateus Bispo; o diácono Pedro Paulo; Adielson Agrelos; e o padre Tiago Henrique da Silva Medeiros, membro do clero da Arquidiocese Metropolitana de São José do Rio Preto e responsável pelos procedimentos de exumação e acondicionamento dos restos mortais.

Todo o processo obedeceu às exigências da legislação canônica, aos protocolos sanitários e ao respeito à dignidade da pessoa humana.

O reencontro com a Igreja da Baixada

Neste sábado, 23 de maio, data em que Irmã Filomena celebraria 80 anos de nascimento, Dom Gilson Andrade presidirá a Santa Missa às 8h, na Catedral de Santo Antônio de Jacutinga, com a presença dos restos mortais da religiosa.

Após a celebração, os restos mortais serão transladados para a cripta diocesana, onde repousam padres, diáconos, o Monsenhor João Müsch e Dom Adriano Hypólito.

O retorno de Irmã Filomena à Baixada Fluminense reconecta a Diocese de Nova Iguaçu com uma das páginas mais marcantes de sua história. Trinta e cinco anos depois, sua memória permanece viva entre aqueles que conviveram com sua missão e entre as novas gerações que continuam encontrando em seu testemunho um sinal de fé, coragem e compromisso com os pobres.