“O amor é exigente”: legado de Irmã Filomena é recordado na Posse

0
112

A memória de Irmã M. Filomena Lopes Filha, OSF, foi celebrada no último fim de semana com uma Santa Missa presidida pelo bispo diocesano de Nova Iguaçu, Dom Gilson Andrade da Silva, na Comunidade São Francisco de Assis, pertencente à Paróquia Sagrada Família, na Posse. A celebração marcou os 36 anos de sua oferta de vida e reuniu também fiéis das comunidades Jesus Bom Pastor e Nossa Senhora da Glória, ambas da Paróquia Santa Rita de Cássia, no bairro Cruzeiro do Sul.

As comunidades participantes guardam uma ligação especial com a religiosa da Congregação das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição de Maria de Bonlanden. Foi naquela região que Irmã Filomena dedicou parte significativa de sua missão junto às famílias da Baixada Fluminense, acompanhando de perto a organização comunitária, a promoção humana e a vida de fé do povo.

Tradicionalmente, a recordação de sua oferta de vida acontece no local onde seu corpo foi encontrado, na localidade de Itaipu, onde foi erguido um cruzeiro em sua memória. Neste ano, porém, Dom Gilson manifestou o desejo de celebrar junto ao povo do Mutirão da Posse, lugar profundamente marcado pela presença e pelo trabalho da religiosa.

A escolha não foi por acaso. A intenção foi destacar os frutos deixados por sua missão e recordar que, antes de sua vida ser interrompida de forma violenta, ela já havia sido entregue diariamente ao serviço dos irmãos e irmãs.

Em sua homilia, Dom Gilson refletiu sobre o Evangelho do chamado de Mateus e recordou que Jesus veio ao encontro de todos aqueles que necessitam de misericórdia.

“É claro que Jesus deseja a conversão das pessoas, mas Ele entra na casa de Mateus porque quer que todos sejam perdoados e salvos. Jesus quer que o Reino seja para todos”, afirmou.

Dirigindo-se aos moradores que conviveram com a religiosa, o bispo destacou o testemunho concreto deixado por Irmã Filomena.

“Muitos de vocês conviveram e trabalharam com Irmã Filomena e podem testemunhar que ela era uma pessoa normal, como qualquer um de nós. Mas era uma pessoa determinada. Alguns dizem até que era muito exigente. E era, porque o amor é exigente”, disse.

Dom Gilson ressaltou ainda que a principal obra da religiosa não pode ser medida apenas pelas realizações materiais que ajudou a construir.

“O maior bem que Irmã Filomena fez não foi o Mutirão. Foi a doação da própria vida. Ela não fez isso para sua própria glória, mas por amor. E o amor é doação. Tudo o que foi construído aqui nasceu da doação. Foi um projeto das Irmãs de Bonlanden e por isso elas estão aqui até hoje.”

Ao concluir a reflexão, o bispo convidou os fiéis a seguirem o exemplo deixado pela religiosa.

“Que aprendamos com seu testemunho e continuemos no caminho da doação e do serviço aos irmãos.”

Memória viva entre o povo

Um dos momentos mais emocionantes da celebração aconteceu durante o ofertório. Moradores do Mutirão (Conjunto Residencial Dom Moser) levaram até o altar um painel com fotografias e relatos da presença de Irmã Filomena na comunidade. A homenagem surpreendeu os participantes e recordou a profunda ligação da religiosa com as famílias da região.

Ao final da Missa, Dayse, que ainda adolescente atuou ao lado de Irmã Filomena nas atividades do Mutirão e hoje é uma das moradoras remanescentes da comunidade, compartilhou um testemunho emocionado sobre a convivência com a religiosa.

Encerrando a homenagem, ela recordou uma canção frequentemente entoada por Irmã Filomena durante o trabalho comunitário:

“Uma pedra e outra pedra, um tijolo e outro tijolo, construiremos a casa do Senhor…”

Visita ao Mutirão

Após a celebração, Dom Gilson percorreu as ruas do Mutirão da Posse, conhecendo de perto a realidade da comunidade e visitando espaços que guardam a memória da missão de Irmã Filomena.

A caminhada permitiu ao bispo contemplar os frutos de um trabalho construído com fé, perseverança e espírito de serviço. Trinta e seis anos após sua oferta de vida, o testemunho de Irmã Filomena continua presente não apenas na lembrança daqueles que a conheceram, mas também nas comunidades que ajudou a formar e fortalecer ao longo de sua missão

Veja mais imagens da celebração:

Imagens: Adielson Agrelos – DNI Ascom