Na festa de São Lourenço, diocese recordou o terceiro bispo de Nova Iguaçu e seu testemunho de defesa dos pobres e dos direitos humanos
Trinta anos após sua páscoa definitiva, a memória de Dom Adriano Hypólito continua presente na caminhada da Igreja na Baixada Fluminense. Terceiro bispo da Diocese e uma das principais referências na defesa dos direitos humanos na Baixada Fluminense e no Brasil, Dom Adriano foi recordado nesta segunda-feira, 10 de agosto, durante a Santa Missa celebrada na Catedral de Santo Antônio de Jacutinga.
A data coincide com a festa litúrgica de São Lourenço, diácono e mártir, padroeiro dos diáconos. Por isso, a celebração também contou com a participação dos diáconos da Diocese, que se uniram à comunidade para celebrar seu padroeiro e recordar o testemunho de Dom Adriano.
A Santa Missa foi presidida por Dom Gilson Andrade da Silva, bispo diocesano. Em sua homilia, o bispo destacou a importância de reconhecer e preservar a memória daqueles que, ao longo da história da Igreja, se tornaram referências para as novas gerações.
“Nosso tempo é carente de referências”
Ao refletir sobre São Lourenço, Dom Gilson chamou atenção para a necessidade de referências no mundo atual.
“O nosso tempo é carente de referências. Por isso é tão importante que a gente celebre São Lourenço. Apesar de ser de outra época, lá do século terceiro, é atual o seu testemunho e, para os diáconos e para toda a Igreja, é referência.”
A partir do testemunho do mártir, o bispo recordou que a história da Igreja também é construída por homens e mulheres cujo testemunho permanece atual. Entre essas referências está Dom Adriano, cuja trajetória marcou profundamente a história da Igreja na Baixada Fluminense.
Dom Gilson recordou ainda o Congresso Eucarístico Diocesano, realizado recentemente, cujo hino apresentou três nomes ligados à história da Igreja de Nova Iguaçu: João Müsch, Adriano Hypólito e Filomena.
“Mas tem tantos outros. Nossas comunidades também têm suas referências, porque Deus, que caminha conosco, sempre dá o seu Espírito Santo para que a gente possa perceber a presença dele nessas pessoas que, para nós, são referências”, afirmou.
Os pobres como riqueza da Igreja
Na homilia, Dom Gilson estabeleceu uma aproximação entre São Lourenço e Dom Adriano a partir de um aspecto comum aos dois testemunhos: a atenção aos pobres.
Ao recordar a tradição ligada a São Lourenço, o bispo destacou a compreensão de que os pobres ocupam um lugar central na missão da Igreja. Em seguida, relacionou essa perspectiva à trajetória de Dom Adriano.
“Creio que há uma coisa que coincide tanto em São Lourenço quanto na memória de Dom Adriano Hypólito. Ambos entenderam que os pobres são a grande riqueza que a Igreja tem.”
A afirmação resume uma dimensão importante do ministério de Dom Adriano, que esteve à frente da Igreja de Nova Iguaçu em um período marcado por graves problemas sociais e pela violência na Baixada Fluminense. Sua atuação em defesa da dignidade humana e dos direitos das populações mais vulneráveis fez dele uma referência para a Igreja e para diferentes setores da sociedade brasileira.
Memória junto ao túmulo
A celebração contou com a presença dos padres Márcio Horácio, vigário da Catedral, e Edimilson Figueiredo. Também participou o Padre Arnaldo (foto), que durante muitos anos atuou como missionário fidei donum na Diocese de Nova Iguaçu e atualmente visita a comunidade diocesana ao longo destas semanas.
Ao final da Santa Missa, os presentes seguiram em procissão até a Cripta da Catedral de Santo Antônio de Jacutinga, onde está o túmulo de Dom Adriano Hypólito.
Diante do túmulo, Dom Gilson convidou todos a fazerem um momento de oração e memória, agradecendo a Deus pelo testemunho do terceiro bispo de Nova Iguaçu e pelos frutos de seu ministério.
A celebração dos 30 anos da páscoa definitiva de Dom Adriano foi também uma oportunidade para olhar para a história e reconhecer aqueles que ajudaram a construir a caminhada da Igreja local. Ao recordar seu testemunho, a comunidade foi convidada a perceber que as referências do passado continuam a iluminar a missão da Igreja no presente.
Três décadas depois, a memória de Dom Adriano permanece viva não apenas como parte da história da Diocese, mas como inspiração para uma Igreja comprometida com os pobres, com a dignidade humana e com a construção de uma sociedade mais justa.








Agência Hesed.