Retiro do Clero, realizado em Passa Quatro (MG), reuniu os sacerdotes da Diocese e contou com a presença de Dom Gilson Andrade da Silva e a pregação de Dom Dirceu de Oliveira Medeiros
Os presbíteros da Diocese de Nova Iguaçu participaram, entre os dias 17 e 21 de agosto, do Retiro do Clero, realizado em Passa Quatro (MG). O encontro reuniu os sacerdotes em um tempo dedicado à oração, ao silêncio, à fraternidade e ao discernimento sobre a missão presbiteral diante dos desafios do tempo presente.
O retiro contou com a presença de Dom Gilson Andrade da Silva, bispo diocesano de Nova Iguaçu, e do nosso bispo emérito, Dom Luciano Bergamin, que acompanharam o presbitério ao longo desses dias de recolhimento e oração. As reflexões foram conduzidas por Dom Dirceu de Oliveira Medeiros, bispo de Camaçari (BA) e presidente do Regional Nordeste 3 da CNBB.
Com o tema “Presbíteros, testemunho da esperança, numa Igreja sinodal e na era digital”, o retiro propôs aos sacerdotes uma pausa na rotina pastoral para voltar ao essencial: estar com Deus, escutar sua Palavra e renovar a consciência da própria missão.
A programação foi marcada por momentos de reflexão, oração pessoal e celebração. Entre as atividades estiveram as celebrações eucarísticas, a oração das Laudes, a adoração ao Santíssimo Sacramento, a Via-Sacra e uma celebração penitencial.
O silêncio como espaço de escuta
Entre os caminhos propostos durante o retiro esteve a experiência do silêncio. A passagem do profeta Elias no monte Horeb ajuda a compreender que a presença de Deus nem sempre se manifesta no extraordinário. Há momentos em que é preciso silenciar para perceber, com mais clareza, a voz de Deus.
Para o presbítero, esse exercício ganha um significado particular. Em meio às celebrações, atendimentos, reuniões, deslocamentos e tantas demandas pastorais, o silêncio permite recuperar o espaço interior necessário para rezar, discernir e reconhecer o que é essencial.
Mais do que simplesmente afastar-se do barulho, o silêncio vivido no retiro se apresenta como uma oportunidade de escuta: de Deus, da própria consciência e também dos irmãos.
Renovar a identidade e a missão
As reflexões também conduziram os sacerdotes a uma retomada da identidade própria do ministério presbiteral. Homem da Palavra, da Eucaristia e da missão, o presbítero é chamado a tornar perceptível, por meio de sua vida e de seu serviço, a graça que recebeu.
Nesse caminho, a oração não aparece apenas como uma prática ligada à rotina do sacerdote, mas como fonte de sua vida e de sua missão. É na oração que o presbítero coloca diante de Deus suas alegrias, dificuldades, inquietações e decisões, permitindo que sua vontade seja iluminada pela vontade divina.
O retiro também foi espaço para olhar para os desafios que podem comprometer essa vida interior: o ativismo, as distrações e a murmuração. Em uma sociedade marcada pela velocidade e pelo excesso de informações, cultivar momentos de silêncio e oração se torna ainda mais necessário.
O desafio de ser presbítero na era digital
O tema do retiro colocou também em evidência uma realidade que já faz parte da vida cotidiana: a cultura digital.
As redes sociais e as novas tecnologias abriram possibilidades importantes para a comunicação e a evangelização. Ao mesmo tempo, exigem dos presbíteros discernimento para que a presença no ambiente digital não ocupe o lugar do encontro pessoal, da escuta e da vida comunitária.
Estar no mundo digital, portanto, não significa abandonar a identidade própria do ministério. A tecnologia pode ampliar o alcance da mensagem do Evangelho, mas não substitui a Eucaristia, a comunidade reunida, a convivência fraterna nem a proximidade entre pastor e povo.
O desafio é fazer do ambiente digital também um espaço de testemunho, sem perder de vista que a missão cristã acontece, antes de tudo, no encontro.
Uma Igreja que caminha junto
A sinodalidade também ocupou lugar importante na proposta do retiro. Caminhar juntos pressupõe escutar, dialogar, discernir e reconhecer a presença de Deus na vida dos outros.
Nesse contexto, o presbítero é chamado a exercer seu ministério como serviço. Isso significa favorecer a comunhão, construir pontes, estimular a participação e cultivar uma Igreja que saiba escutar antes de falar.
A fraternidade vivida entre os próprios sacerdotes durante o retiro também fez parte desse caminho. O tempo compartilhado permite fortalecer vínculos e recordar que o ministério não é vivido de forma isolada, mas em comunhão com a Igreja e com os irmãos no presbitério.
Um tempo para voltar à missão
O retiro do clero não representa uma fuga das responsabilidades pastorais. É, ao contrário, um tempo de preparação para retornar a elas com novo olhar.
Ao se afastar por alguns dias da rotina, o presbítero pode voltar ao essencial: rezar, escutar, discernir e recordar a razão primeira de seu ministério.
A esperança cristã nasce da confiança de que Deus permanece presente e continua conduzindo sua Igreja. É essa esperança que o sacerdote é chamado a testemunhar também diante das transformações culturais, dos desafios pastorais e das inquietações do nosso tempo.
Ao final do encontro, permanece o convite para que cada presbítero retorne à sua comunidade com a missão renovada: servir com fidelidade, caminhar em comunhão e anunciar Cristo com esperança, inclusive nos novos espaços onde a vida humana acontece.
O Retiro do Clero da Diocese de Nova Iguaçu foi, assim, um tempo de graça e renovação: um espaço para silenciar, rezar, escutar e fortalecer a fraternidade, preparando os presbíteros para seguir anunciando o Evangelho e servindo ao povo de Deus.

Colaboração e Imagens: Frei Daniel do Sagrado Coração, IFE







Agência Hesed.