Romaria Diocesana de Nova Iguaçu reúne fiéis em Aparecida e reforça chamado à comunhão

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A Diocese de Nova Iguaçu realizou, neste sábado, 12 de setembro, sua tradicional Romaria Diocesana ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP). Fiéis de diferentes paróquias e comunidades da Igreja Particular da Baixada Fluminense se reuniram na Casa da Mãe para um dia marcado pela oração, pela Eucaristia e pela renovação da comunhão e da missão.

Com o lema “Na Casa da Mãe Aparecida, renovamos nossa comunhão e missão”, a peregrinação deu continuidade ao caminho vivido pela Diocese no Congresso Eucarístico Diocesano, que teve como tema “Eucaristia: Pão do Céu, partilha, Igreja em saída”. Em Aparecida, a experiência celebrada durante o Congresso ganhou novamente um forte sinal de unidade: diferentes paróquias, pastorais, movimentos e comunidades reunidos em torno de um mesmo altar e alimentados pelo mesmo Pão.

A Santa Missa foi celebrada às 6h, no Altar Central do Santuário Nacional, e presidida pelo bispo de Nova Iguaçu, Dom Gilson Andrade da Silva, com a presença do bispo emérito, Dom Luciano Bergamin, e de todo o clero diocesano. A celebração reuniu os romeiros da Diocese e também pôde ser acompanhada pelos fiéis que permaneceram em suas casas por meio dos canais de comunicação do Santuário.

Uma pausa para recordar que ninguém caminha sozinho

Na homilia, Dom Gilson apresentou a romaria como uma pausa necessária na caminhada da Igreja e da própria vida. Para o bispo, peregrinar é recordar que o povo de Deus ainda está a caminho e que ninguém percorre sozinho as estradas da vida.

“A romaria é uma pausa importante na caminhada da vida e da Diocese, pois ela nos lembra que somos um povo a caminho.”

O bispo destacou ainda a presença de Nossa Senhora nessa caminhada, apontando para Jesus e recordando sua orientação nas Bodas de Caná: “Façam tudo o que meu Filho lhes disser”. Ao mesmo tempo, lembrou que a caminhada é feita ao lado de outros irmãos e irmãs, que também carregam sonhos, dores e esperanças.

Por isso, Dom Gilson definiu o Santuário Nacional como um lugar não apenas de fé, mas também de “comunhão e esperança”. Deixar as casas e comunidades para se encontrar aos pés de Nossa Senhora significa renovar a fé e retornar à realidade cotidiana com disposição renovada para viver a missão.

“Queremos voltar com mais fé, mais comunhão e mais coragem para a missão”, afirmou.

O mesmo Pão nos torna um só corpo

Foi, porém, na reflexão sobre a Eucaristia que Dom Gilson colocou o centro de sua homilia. Ao recordar as palavras de São Paulo — “porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo” — o bispo destacou que a Eucaristia não é apenas o momento central da celebração, mas o fundamento de uma nova maneira de viver as relações.

A Diocese é formada por muitas pessoas e diferentes realidades. As paróquias têm suas características próprias, as pastorais possuem diferentes formas de atuação e cada pessoa tem seu modo de pensar e de servir. Mas, diante do altar, todos recebem o mesmo Cristo.

É justamente essa experiência que, segundo Dom Gilson, precisa ultrapassar os limites da celebração e transformar a vida concreta.

“Se comungamos o mesmo pão, precisamos aprender a caminhar juntos, a perdoar, a ajudar, a cuidar uns dos outros, a reconhecer o outro como parte de mim.”

A afirmação sintetiza o principal apelo feito pelo bispo aos romeiros. A comunhão eucarística precisa produzir comunhão entre as pessoas. Receber o mesmo Pão significa reconhecer que o outro não é alguém distante, mas parte do mesmo corpo de Cristo.

Assim, a Eucaristia torna-se também um convite a superar individualismos, ressentimentos e divisões. Para Dom Gilson, comungar exige aprender a caminhar junto, mesmo diante das diferenças.

“A romaria torna visível aquilo que celebramos na Eucaristia: somos muitos, mas somos um só povo em Cristo.”

“Sejamos polos de comunhão e não de divisão”

A reflexão ganhou uma dimensão ainda mais concreta quando Dom Gilson recordou o cenário de polarização vivido pela sociedade.

“Nesses tempos de uma polarização cansativa, pela força da Eucaristia sejamos polos de comunhão e não de divisão.”

O pedido do bispo está diretamente ligado ao sentido da Eucaristia: se todos participam do mesmo Pão e pertencem ao mesmo Corpo, as diferenças não podem se transformar em muros.

A comunhão, portanto, não significa que todos precisam pensar ou agir da mesma maneira. Significa reconhecer a dignidade e a pertença do outro, aprendendo a conviver, perdoar, ajudar e cuidar. A experiência do altar deve se traduzir em atitudes concretas na família, nas comunidades, nas pastorais e em toda a sociedade.

Uma comunhão que se transforma em missão

A partir dessa experiência eucarística, Dom Gilson também recordou o chamado da Diocese a uma conversão pastoral.

“Queremos ser uma Igreja mais missionária, mais próxima das pessoas, mais atenta aos pobres, às famílias, às crianças e aos jovens”, afirmou.

Para o bispo, esse caminho começa na comunhão com Jesus, mas não termina nela. A Eucaristia celebrada precisa tornar-se uma experiência concreta de fé e caridade no cotidiano.

A missão, nesse sentido, nasce da comunhão. Uma Igreja que se alimenta do mesmo Pão é chamada a caminhar unida, aproximar-se das pessoas e colocar-se a serviço daqueles que mais precisam.

A romaria, ao reunir em um mesmo lugar diferentes expressões da Diocese, torna visível essa realidade: muitos rostos, diferentes histórias e diferentes serviços, mas um único povo reunido em torno de Cristo.

Construir sobre a rocha

Ao final da homilia, Dom Gilson refletiu sobre as tempestades e desafios que fazem parte da vida. Dificuldades familiares, problemas sociais, violência, insegurança, decepções e os próprios desafios enfrentados pela Igreja fazem parte da caminhada.

Diante dessas realidades, o bispo retomou a imagem evangélica da casa construída sobre a rocha.

“Quem escuta sua Palavra e a pratica é como aquele que constrói sobre a rocha. E a rocha é Ele.”

Para Dom Gilson, a solidez da caminhada cristã está em Jesus e em sua Palavra. Escutá-la e colocá-la em prática significa permitir que a fé transforme as relações e as escolhas.

A Eucaristia, assim, não é apenas o ponto de chegada da romaria, mas o alimento para continuar caminhando. O mesmo Pão recebido no altar envia cada cristão de volta para sua casa, sua comunidade e sua realidade, chamado a construir relações mais fraternas e uma Igreja mais unida.

Oração junto à Mãe Aparecida

Após a celebração da Santa Missa, estava previsto o Terço Mariano na Tribuna Papa Bento XVI, localizada na Arcada Sul da Basílica. No entanto, devido às condições climáticas adversas, o momento precisou ser cancelado.

Diante da situação, Dom Gilson recomendou que cada fiel rezasse individualmente o Santo Terço junto à Imagem Milagrosa de Nossa Senhora Aparecida, colocando em suas orações a intenção da Diocese de Nova Iguaçu.

Mesmo com a alteração na programação, os romeiros permaneceram unidos na fé, confiando a caminhada da Diocese à intercessão de Nossa Senhora Aparecida.

Ao longo do dia, os participantes também puderam conhecer os diversos espaços do Santuário Nacional, entre eles a Matriz Basílica, a Passarela da Fé, o Morro do Cruzeiro, o Mirante da Santa, o Porto Itaguaçu e o Memorial da Devoção.

A Romaria Diocesana de 2026 deixou, assim, uma mensagem que ultrapassa a experiência de um dia de peregrinação: se a Eucaristia faz da Igreja um só corpo, aqueles que partilham o mesmo Pão são chamados a fazer da comunhão uma forma concreta de viver.

Em Aparecida, a Diocese de Nova Iguaçu celebrou sua fé e renovou sua missão. Aos pés da Mãe, recordou que caminhar juntos é parte essencial da vida cristã — aprendendo a perdoar, ajudar, cuidar uns dos outros e reconhecer, no irmão e na irmã, alguém que também pertence ao mesmo Corpo de Cristo.