Caminhada relembra Irmã Filomena e reafirma seu legado de esperança e justiça

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Foi promovida no dia 15 de junho, uma caminhada em memória de Irmã Filomena Lopes Filha, assassinada há 35 anos em Belford Roxo, após intensa atuação evangelizadora e social junto às comunidades mais vulneráveis da Baixada Fluminense. A mobilização reuniu fiéis, lideranças pastorais e religiosas no bairro de Itaipu, passando pelo local onde a religiosa foi encontrada sem vida, em um gesto coletivo de fé, gratidão e compromisso com sua memória. No encerramento da caminhada, foi celebrada a Santa Missa, presidida por Dom Luciano Bergamin, bispo emérito da Diocese.

O ponto alto da caminhada foi a chegada ao espaço memorial erguido onde Irmã Filomena foi assassinada, em 7 de junho de 1990. No local, uma cruz sinaliza o chão de martírio, convertido em lugar de esperança e resistência.

Conhecida como “a Apóstola da Baixada”, Irmã Filomena foi religiosa da Congregação das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição de Maria (Bonlanden). Mineira de São Miguel do Anta, chegou à região metropolitana do Rio de Janeiro movida pelo desejo de tornar o Evangelho visível na vida dos mais pobres. Atuou como diretora pedagógica no Instituto de Educação Santo Antônio (IESA), em Nova Iguaçu, mas sua ação ultrapassava os muros da escola: liderava iniciativas populares que transformaram bairros esquecidos pela ação do Estado, sempre com os pés no chão e o coração na missão.

Irmã Filomena foi sequestrada e executada com um tiro na nuca, após ser forçada a dirigir até um local ermo. O crime chocou a Baixada e deixou marcas profundas na caminhada pastoral da Diocese, que desde então segue resgatando sua memória como testemunho de entrega radical ao Reino de Deus.

Nos últimos anos, o reconhecimento à sua vida ofertada tem ganhado novas expressões. Em 2022, Dom Gilson Andrade, bispo de Nova Iguaçu, apresentou ao Papa Francisco, durante visita ao Vaticano, um quadro com a imagem e a história da religiosa. O gesto marcou simbolicamente a entrega de sua memória à Santa Igreja, como semente de santidade germinada nas periferias.

Além disso, a Diocese deu início a um processo interno de escuta para recolher relatos e testemunhos de pessoas que conviveram com a missionária. A iniciativa visa fortalecer o reconhecimento da santidade popular da religiosa, cuja história se encaixa na proposta de beatificação por “oferta de vida”, prevista pela Igreja para aqueles que, movidos pela caridade, aceitam livremente a morte como consequência do seguimento de Jesus.

Passadas mais de três décadas, o testemunho de Irmã Filomena continua a interpelar. Sua vida não pertence apenas à memória, mas à própria missão da Igreja na Baixada Fluminense, onde ainda ecoam os clamores por justiça, dignidade e paz.

Confira imagens da caminhada e da celebração eucarística:

Fotos: Joice Kunzel (Pascom DNI)