Os sinos da Catedral de Santo Antônio de Jacutinga tocaram oito vezes na manhã deste sábado, 23 de maio, anunciando mais do que o início de uma celebração. Para muitos dos presentes, era a hora do reencontro: o retorno de irmã M. Filomena Lopes Filha, OSF, à Igreja de Nova Iguaçu, na véspera da Solenidade de Pentecostes e no dia em que a religiosa completaria 80 anos de nascimento.
A celebração marcou o translado dos restos mortais da religiosa para a cripta da catedral. Irmã Filomena estava sepultada no cemitério da Congregação das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição de Maria de Bonlanden, em Barra do Piraí. Agora, passa a repousar junto de Dom Adriano Hypólito e do Monsenhor João Müsch, figuras profundamente ligadas à história da Diocese de Nova Iguaçu.
Mais do que recordar uma trajetória, a celebração fez memória da oferta de vida de irmã Filomena, marcada pela fidelidade ao Evangelho e pela dedicação aos pobres e esquecidos da Baixada Fluminense.
Família, irmãs de congregação e amigos presentes
Entre os presentes estavam quatro dos vinte irmãos vivos da religiosa: Vicente, Rosário, Aparecida e Elizabeth. Para eles, era o reencontro com a “Filhinha”, como carinhosamente a chamavam em família.
Também participaram irmãs da congregação, entre elas irmã Alcira, provincial à época dos mutirões populares; a atual provincial, irmã Nana; e a superiora-geral da congregação, irmã Maria Graciela Trivilino.
Padres, diáconos, seminaristas, amigos e irmãos e irmãs de caminhada também participaram da celebração, muitos deles marcados pela presença simples, firme e missionária de irmã Filomena junto ao povo.
A memória de uma vida entregue ao Evangelho
No início da missa, irmã Nana fez a leitura de uma breve biografia de irmã Filomena, recordando sua vida de oração, convivência fraterna e dedicação missionária.
Ao recordar a trajetória da religiosa, destacou uma frase que marcou sua caminhada: “Vocação é viver tornando a vida mais bela”.
A leitura também recordou que a missão de irmã Filomena não foi apenas uma atuação social, mas expressão concreta de sua consagração religiosa e de sua entrega a Cristo. Sua presença junto aos pobres se tornou sinal de uma vida oferecida integralmente ao Reino de Deus.
A homilia de Dom Gilson e a oferta de vida de irmã Filomena
Durante a homilia, o bispo diocesano de Nova Iguaçu, Dom Gilson Andrade da Silva, refletiu sobre o Evangelho das Bem-aventuranças e afirmou que irmã Filomena transformou em vida concreta aquilo que Jesus proclamou no monte.
“O caminho dos seguidores de Jesus é um caminho de bem-aventurança, de felicidade, e não de facilidades”, afirmou o bispo.
Dom Gilson destacou que irmã Filomena viveu de maneira radical sua vocação religiosa e fez da própria existência uma oferta de vida no serviço aos pobres, à educação e à missão da Igreja.
“Hoje, diante desta mulher consagrada que pagou com a própria vida sua fidelidade ao Evangelho, as Bem-aventuranças deixam de ser apenas palavras proclamadas por Jesus num monte da Galileia; tornam-se carne, história e testemunho”, destacou.

O bispo também afirmou que a religiosa permitiu que “a dor do povo entrasse em seu coração” e recordou que sua entrega foi consequência de um amor coerente com a fé e com a consagração religiosa.
“A doação total da vida, que a levou ao derramamento do sangue, foi expressão de um amor coerente com as consequências da fé e da sua consagração a Deus”, afirmou Dom Gilson.
Ao recordar irmã Filomena como testemunha do Evangelho, o bispo ressaltou ainda que sua memória continua viva na vida da Diocese e no coração daqueles que foram tocados por sua missão.
O significado do translado para a cripta
Ao explicar o sentido do translado para a cripta da catedral, Dom Gilson afirmou que o gesto não representa uma homenagem humana ou social, mas o reconhecimento da força do Evangelho vivido até o fim.
“A Igreja de Nova Iguaçu acolhe seus restos mortais nesta catedral não para glorificar uma figura humana, mas para reconhecer a força do Evangelho vivido até o fim”, declarou.
O bispo também recordou que a Diocese instituiu, durante a Campanha da Fraternidade 2026, uma comissão responsável por aprofundar os estudos sobre a missão e o testemunho de irmã Filomena na vida da Igreja local.

Segundo Dom Gilson, a presença dos restos mortais da religiosa na cripta se torna um sinal para as futuras gerações de que a Igreja deseja conservar viva a memória daqueles que gastaram a vida pelo Reino de Deus.
Agradecimentos e reconhecimento
Ao final da celebração, Dom Gilson agradeceu o empenho de irmã Nana e a generosidade da congregação em acolher o pedido da Diocese para o translado.
Também agradeceu ao padre Rodrigo Mota, cura da catedral, pelo preparo da cripta e pela organização da celebração, e ao padre Tiago Medeiros, da Arquidiocese de São José do Rio Preto, responsável pelos procedimentos de exumação e acondicionamento dos restos mortais.
O bispo ainda apresentou os membros presentes da comissão diocesana criada para resgatar a memória e os testemunhos de irmã Filomena.
A despedida ao som de “Construiremos Uma Casa”
Após a bênção final, a urna com os restos mortais da religiosa foi conduzida até a cripta da catedral ao som da canção “Construiremos Uma Casa”, do padre Zezinho — música frequentemente entoada por irmã Filomena durante os mutirões populares e que se tornou símbolo de sua missão junto ao povo.
Enquanto o refrão “Construiremos a casa de um irmão” ecoava pela catedral, muitos acompanharam em silêncio a entrada da urna na cripta.
Ali, junto daqueles que ajudaram a construir a história da Diocese de Nova Iguaçu, irmã Filomena agora repousa perto do povo ao qual dedicou sua vida, sua fé e sua missão.










Agência Hesed.