40 anos do Mosteiro Santa Clara: uma presença de oração no coração da Baixada

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Celebração reuniu Clarissas, clero, franciscanos e comunidades que mantêm vínculos com o mosteiro, fundado na Diocese por iniciativa de Dom Adriano Hypólito

A celebração de Santa Clara de Assis, nesta segunda-feira, 11 de agosto, ganhou um significado especial na Diocese de Nova Iguaçu. No Mosteiro Santa Clara, em Botafogo, uma comunidade marcada pela oração e pela vida contemplativa celebrou a solenidade da padroeira e os 40 anos de fundação do mosteiro, que há quatro décadas faz parte da caminhada da Igreja na Baixada Fluminense.

A Santa Missa foi presidida por Dom Gilson Andrade da Silva, bispo diocesano, e reuniu as Irmãs Clarissas, sacerdotes, diáconos, religiosos e fiéis. A celebração também recordou a história da chegada das primeiras Clarissas à Diocese, trazidas por Dom Adriano Hypólito a partir do convento da Ilha da Madeira, em Portugal.

Ao longo desses 40 anos, a presença das irmãs tornou-se parte da vida da Igreja local. O mosteiro, embora marcado pelo silêncio e pela clausura, mantém uma relação próxima com a comunidade diocesana por meio da oração e da intercessão.

“Um coração orante no coração da nossa Diocese”

Em sua homilia, Dom Gilson destacou que o testemunho de Santa Clara continua atual porque aponta para o centro da vida cristã: Cristo e a Eucaristia.

“A luz do testemunho de Santa Clara nos alcança mais uma vez. Clara não apenas no nome, mas sobretudo pela luz de Cristo que habitou a sua vida e irradiou na Igreja e no mundo.”

O bispo recordou a relação de Clara com São Francisco de Assis e a importância que a Eucaristia ocupava em sua espiritualidade. Segundo Dom Gilson, Santa Clara fez de sua vida uma resposta ao desejo de Francisco de que Cristo fosse amado, contemplado e adorado.

A partir dessa reflexão, o bispo chamou atenção para uma dimensão que muitas vezes pode passar despercebida: a fecundidade da vida contemplativa.

“Sua vida foi, durante décadas, aparentemente escondida e, aos olhos do mundo, até mesmo ‘inútil’. Ela não pregou nas praças, não saiu para servir os leprosos, não realizou grandes obras, mas permaneceu em São Damião.”

Para Dom Gilson, essa permanência diante de Deus revela justamente a força da vocação contemplativa.

“O Mosteiro Santa Clara é um coração orante no coração da nossa Diocese. Aqui vocês nos recordam silenciosamente de onde vem a verdadeira força.”

O bispo afirmou ainda que a presença das Clarissas ajuda a Igreja a compreender que nem toda fecundidade pode ser medida por resultados imediatos.

“Ensinar-nos que nem tudo precisa produzir resultados imediatos, que há uma fecundidade escondida, que uma vida inteira oferecida a Deus nunca é inútil.”

Ao concluir a reflexão, Dom Gilson destacou a força do testemunho de Santa Clara e das irmãs:

“Santa Clara nos ensina que uma mulher aparentemente frágil, escondida atrás das paredes de um mosteiro, pode sustentar a Igreja inteira com sua oração.”

Quatro décadas de presença na Baixada

A celebração dos 40 anos também foi uma oportunidade para recordar a história das Clarissas na Diocese de Nova Iguaçu.

A chegada das primeiras irmãs aconteceu por iniciativa de Dom Adriano Hypólito, que buscou trazer para a Baixada Fluminense a presença da Ordem de Santa Clara. Desde então, gerações de religiosas passaram pelo mosteiro, mantendo viva uma vocação marcada pela oração, pela adoração e pela intercessão pela Igreja e pelo mundo.

A presença das Clarissas também estabelece uma ponte entre diferentes expressões da família franciscana. Entre os religiosos presentes na celebração estava Frei João Reinert, OFM, zelador espiritual das irmãs, além de Frei Paulo Pereira, ministro provincial da Província Franciscana da Imaculada Conceição.

Frei Paulo levou às religiosas o abraço da Província Franciscana e destacou a relação fraterna construída ao longo dos anos.

“Nas preces, as irmãs sempre rezam por nós. Quero aqui agradecer essa familiaridade e pedir: continuem a rezar por nós.”

Ao comentar a homilia de Dom Gilson, Frei Paulo afirmou que o cuidado com as religiosas contemplativas é responsabilidade de toda a Igreja.

“Na fecunda ‘inutilidade’ do claustro, elas são vigor para todos nós, e nós correspondemos então com esse cuidado.”

Para o frade, a clausura não representa falta de liberdade, mas uma forma particular de viver a liberdade cristã.

“Na perspectiva das irmãs, quem está atrás das grades somos nós. Elas alcançaram a liberdade do espírito.”

Frei Paulo concluiu pedindo que o testemunho das Clarissas ajude todos os cristãos a buscar a liberdade própria dos discípulos e discípulas de Jesus.

Fraternidade entre comunidades

A celebração contou também com a presença fraterna das Irmãs da Arca de Maria, que mantêm a Casa Refúgio do Imaculado Coração ao lado do Mosteiro Santa Clara.

A proximidade entre as duas comunidades favorece uma convivência marcada por momentos de oração, encontros e fraternidade. A presença das irmãs da Arca de Maria na celebração reforçou esse vínculo construído no cotidiano.

Entre os concelebrantes e participantes estavam o Bispo emérito Dom Luciano Bergamin, diversos sacerdotes da Diocese, o Monsenhor Max de Jesus, vigário-geral, e o Padre Davenir Andrade, vigário episcopal do Vicariato Sede.

A celebração também teve um significado especial para dois sacerdotes: Padre Edimilson Figueiredo e Padre Porfírio Abreu, que comemoraram 41 anos de ministério ordenado.

Uma presença que continua a iluminar

Ao celebrar quatro décadas de existência, o Mosteiro Santa Clara reafirma seu lugar na caminhada da Igreja de Nova Iguaçu. A presença das Clarissas lembra que a missão da Igreja também acontece no silêncio, na adoração e na oração oferecida diariamente pelas necessidades do mundo.

A história iniciada com a chegada das primeiras irmãs, por iniciativa de Dom Adriano Hypólito, continua a se desenvolver na vida das comunidades e na oração das religiosas.

Na festa de Santa Clara, a comunidade diocesana foi convidada a reconhecer essa presença e agradecer por ela: um mosteiro que, mesmo atrás da clausura, permanece profundamente ligado à vida da Igreja e às pessoas que caminham na Baixada Fluminense.