Missa dos colaboradores celebra São Bartolomeu e recorda a vocação à santidade no cotidiano

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A Diocese de Nova Iguaçu celebrou, nesta segunda-feira, 24 de agosto, a missa mensal dos colaboradores da Cúria Diocesana. Neste mês, a celebração ganhou um significado especial por coincidir com a memória litúrgica de São Bartolomeu Apóstolo, padroeiro da Capela Curial, dedicada ao santo durante o bispado de Dom Luciano Bergamin, bispo emérito de Nova Iguaçu.

A celebração foi presidida pelo próprio Dom Luciano, que recordou as razões afetivas e espirituais que o levaram a escolher São Bartolomeu como padroeiro da capela. Segundo o bispo emérito, a escolha está ligada à sua história pessoal: na localidade italiana onde viveu a infância, a igreja que frequentava tinha São Bartolomeu como padroeiro.

A devoção, porém, não se limita à memória afetiva. Durante a homilia, Dom Luciano destacou também o testemunho de humildade e simplicidade deixado pelo apóstolo. Pouco se sabe historicamente sobre Bartolomeu, tradicionalmente identificado com Natanael, personagem apresentado no Evangelho de João. Seu nome aparece nas listas dos Doze Apóstolos, mas ele não ocupa lugar de destaque nas narrativas evangélicas. A tradição cristã, no entanto, reconhece nele um discípulo que chegou à fé por meio de um encontro pessoal com Jesus.

Do questionamento ao encontro com Jesus

No Evangelho, Filipe anuncia a Natanael que havia encontrado aquele de quem Moisés e os profetas haviam falado: Jesus de Nazaré. A primeira reação de Natanael é marcada pela desconfiança: “De Nazaré pode sair algo de bom?”. Filipe, então, não tenta convencê-lo com argumentos. Apenas responde: “Vem e vê”.

O encontro muda a trajetória de Natanael. Jesus afirma conhecê-lo antes mesmo que Filipe o chamasse e diz tê-lo visto quando estava sob a figueira. É diante dessa experiência que Natanael professa sua fé: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”.

Foi justamente nessa passagem que Dom Luciano concentrou parte de sua reflexão. Para o bispo emérito, a experiência de Bartolomeu mostra que a fé não se sustenta apenas no que os outros dizem sobre Jesus, mas amadurece na convivência com Ele.

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A reflexão também recordou que Bartolomeu é um dos apóstolos sobre os quais há menos informações nos Evangelhos. Para Dom Luciano, essa aparente ausência de protagonismo ajuda a compreender uma característica importante de seu testemunho: a santidade não depende de feitos extraordinários ou de reconhecimento público.

A santidade vivida no cotidiano

Ao falar sobre o exemplo deixado por São Bartolomeu, Dom Luciano retomou uma reflexão do Papa Bento XVI sobre o apóstolo. Mesmo sem ocupar lugar central nas narrativas bíblicas, Bartolomeu permanece como testemunha de que a fidelidade a Jesus pode ser vivida sem a realização de obras espetaculares.

“Não é aquele apóstolo de muito ibope. Mas, no cotidiano da vida, ele se santificou”, destacou Dom Luciano.

A partir desse testemunho, o bispo emérito levou a reflexão para a vida concreta dos colaboradores. A santidade, afirmou, não está distante das atividades ordinárias, mas pode ser construída justamente nos espaços onde cada pessoa vive sua vocação: na família, no trabalho, na Igreja, nas amizades e também nas atividades simples do dia a dia.

Dom Luciano lembrou, nesse sentido, a conhecida espiritualidade de Santa Teresa de Calcutá, segundo a qual as coisas comuns podem ser realizadas com grande amor. “Fazer as coisas comuns, mas com muito amor, de maneira extraordinária”, recordou.

A mensagem encontrou particular significado em uma celebração destinada aos colaboradores da Cúria Diocesana. O trabalho cotidiano, muitas vezes realizado longe dos espaços de maior visibilidade, também participa da missão evangelizadora da Igreja. Cada serviço prestado, cada tarefa assumida e cada responsabilidade desempenhada podem se tornar expressão de uma vocação quando realizados como serviço a Deus e à comunidade.

Ao celebrar São Bartolomeu na Capela Curial, a Diocese de Nova Iguaçu também recorda a história de sua própria caminhada. A escolha feita por Dom Luciano durante seu bispado permanece como um sinal de sua ligação afetiva com o santo e, sobretudo, como uma inspiração para aqueles que diariamente trabalham a serviço da Igreja diocesana.

Como destacou Dom Luciano ao concluir sua reflexão, a vida cristã acontece também na simplicidade: “A gente se santifica nisso”. E Dom Luciano, ao final da celebração, mantendo sua tradição, deu 24 pulinhos, juntos ao presentes, em comemoração a memória de São Bartolomeu.

Confira imagens da celebração eucarística: